Mar 26 2008

Cepos Romanos

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Cepos Romanos: 

cepo.jpgDiz-se que os primeiros fenícios que chegaram por mar até Tartessos voltaram trazendo, a troco do azeite e da pacotilha que tinham levado consigo, um tal carregamento de prata que não podiam ter nem receber mais, vendo-se obrigados, ao voltar daquelas paragens, a fundir em prata todas aquelas coisas de que se serviam, incluindo as âncoras.» Timeu - De mirab, ausc. 135; copiado de Posidónio em Diod. 5, 35. 4. 1 A questão da navegação ao longo da costa atlântica da Península Ibérica na Antiguidade constitui uma vasta e apaixonante problemática que se encontra enriquecida pelos numerosos achados subaquáticos, na maioria inéditos, ocorridos nas últimas décadas em águas portuguesas, graças à generalização da pratica do mergulho com escafandro autónomo. Testemunhos, por excelência, destas navegações, os cepos de âncora em chumbo são habitualmente atribuídos à época romana mas, na realidade, considera-se hoje que a sua utilização se generalizou a partir do século IV a.C., verificando-se no Mediterrâneo a esmagadora maioria deste tipo de achados .Naturalmente, estes singulares testemunhos arqueológicos ilustram apenas um aspecto da multifacetada problemática da navegação na Antiguidade, problemática que, como para muitas outras áreas geográficas e épocas, é subsidiária das fontes histórico-geográficas, literárias, epigráficas e iconográficas, bem como dos estudos sobre instaIações, portuárias e assentamentos litorais. Este autor, de entre os meados do século 11 e III a. C., ter-se-á apoiado em informações que remontariam a Éforo, e a Píteas (segundo A. Schulten - Fontes Hispanie Antiquae, fasc. 2, 1925, p. 94 e 220). Agradeço ao Eng. Q A. Monge Soares por me ter chamado a atenção para esta passagem de Timeu.A maior parte destes achados são isolados, sem contexto arqueológico conhecido. No total contavam-se, ainda há bem poucos anos, apenas uma vintena de casos em que se conhecem os contextos arqueológicos (destroços de navios) de onde provêm cepos em chumbo GIANFROTTA, 11. A. - Ancore «romane». Nuovilmateriali per lo studio dei traffici marittimi. «Mernoir of the American Academy in Rome 36, 1980, p, 103-116, ;). 107. Ocorre-nos que a este número deverá acrescentar-se o achado efectuado por um membro da equipa do Comandante Cousteau, dos despojos de um navio antigo afundado, entre os quais se encontrava um cepo de âncora em chumbo, despojos esses caracterizados como «restos não de um navio mercante, mas sim de um navio de guerra, uma galera de combate, esbelta, rápida, ricamente ornamentada … provavelmente muito antiga, talvez fenícia … » COUSTEAU, J.-Y. - 0 Mundo Submarino. Rio de janeiro, Salvar, 1983, p 108. 0 achado foi efectuado por Albert Falco, a bordo do disco submersível SP 350, em 30 de Outubro ele 1970, quando, a 225 m de profundidade, prospectava o fundo do canal de Sicília, durante a operação Tunicília, que consistiu num estudo, de exequibilidade de interesse económico da instalação de um gasoduto entre a África do Norte e Itália.Está, no entanto, ainda por fazer a síntese respeitante aos achados de restos anfóricos nas nossas águas, havendo apenas a registar até à data a publicação pontual de achados. Em contrapartida, num outro plano que interessa directamente a questão evocada, são de salientar as recentes sínteses sobre a distribuição geográfica das ânforas de fabrico lusitano no mundo romano e sobre despojos de naufrágios de navios da época romana no Mediterrâneo, onde foram encontradas ânforas que hoje se reconhecem como produções típicas da Lusitânia romana. Estes recentes trabalhos reflectem o significativo progresso da investigação sobre as produções anfóricas do território português durante a época romana - disto sendo igualmente exemplo a recente sistematização tipológica desta produção regional e o projecto de investigação actualmente em curso sobre este tema. Refira-se, a propósito, que a problemática das navegações atlânticas, bem como a das relações mediterrânico-atlânticas por via marítima durante esta época, se alicerça hoje em evidências arqueológicas específicas (destroços de navios), cujo estudo tem comprovado não ter havido qualquer ruptura nas tradições técnicas dos mundos pré e pós-romano. Isto, sem prejuízo de uma acentuada evolução técnica e tecnológica, consequência directa do inter-relacionamento de culturas, próprio dos contactos por via marítima.  

cepo02.jpgTais considerações seriam puras generalidades se o desenvolvimento da arqueologia subaquática nas últimas décadas não tivesse vindo fundamentá-las - designadamente no plano da arquitectura naval - contribuindo assim decisivamente para o reequacionamento dos pressupostos históricos da navegação oceânica e de longo curso. Disto é exemplo a comprovação, através da investigação arqueológica subaquática, das excelentes qualidades náuticas dos navios da época romana de tradição mediterrânica, designadamente dos próprios navios de carga de grande tonelagem. Com efeito, os estudos de arquitectura naval proporcionados por destroços de naufrágios, como no caso do navio da Madrague de Giens, vieram demonstrar que os navios daquela época mesmo de carga e de grande porte - dispunham já de características estruturais que lhes permitiam remontar ao vento (bolinar) em excelentes condições, e manter uma velocidade de cruzeiro e mesmo de ponta que “. . será ainda julgada excepcional no inicio do século XIX e não deixará de o sei antes da aparição dos grandes «clippers» dos meados do século XIX. Ora, torna-se evidente que estas características são essenciais à navegação à vela, particularmente para além do cabo S. Vicente, devido ao regime de ventos específico da costa oeste peninsular, em especial durante urna grande parte da “boa estação”, regime esse marcado pela dominância dos ventos do quadrante norte (NW).De resto, a evidência de uma navegação de rotina ao longo da costa atlântica da Península Ibérica encontra-se implícita nos testemunhos dos geógrafos e historiadores da Antiguidade apesar dos mitos sobre a perigosidade da navegação para além das “Colunas de Hércules” (cuja origem e persistência estaria certamente ligada a interesses políticos e comerciais). com efeito, é do conhecimento geral que o Mediterrâneo, ao contrário do Atlântico, é tanto mais perigoso quanto imprevisível. Assim, e porque a quase totalidade dos achados conhecidos de destroços de navios típicos do mundo romano se situam no Mediterrâneo, certos tipos de vestígios isolados, como, por (exemplo, ânforas e cepos de âncora em chumbo, encontrados ao longo da costa atlântica da Península Ibérica, constituem testemunhos insubstituíveis para o estudo do relacionamento marítimo naquela época - além de poderem ser indícios preciosos para a eventual localização de destroços de navios.Curiosamente, até há bem pouco tempo, os dados disponíveis sobre achados de cepos de âncora em chumbo em águas portuguesas eram muito escassos. Aliás, no litoral atlântico do NW espanhol só em janeiro de 1985 se encontraram os três primeiros cepos de âncora em chumbo, concretamente, nas águas da ria de Pontevedra. Saliente-se que, por esta altura, tivemos a oportunidade de informar um deste, AA. de que na costa portuguesa o número de achados deste tipo ascendia a mais de quatro dezenas. Com efeito, apesar desta informação ser inédita, visto até então só um pequeno número de achados dispersos se encontrar referido na bibliografia especializada, 0 Museu Nacional de Arqueologia, através do seu programa de Inventário Geral/Carta Arqueológica do Património Subaquático (IGCASub), recenseara já aquele número de exemplares.Aliás, o mérito deste recenseamento só parcialmente cabia ao MNAE, uma vez que F. Reiner, ao tempo director do Museu do Mar de Cascais, coligira, ao longo de mais de uma década, informações bastante mais completas sobre este tipo de achados, tendo ele e colaboradores seus já estado envolvidos na descoberta, recuperação ou simples recolha para salvaguarda, de cepos de âncora em chumbo. De resto, foi o balanço dos seus conhecimento sobre esta questão, que permitiu a publicação da primeira carta de distribuição deste tipo de achados na nossa costa facto que, de resto, Edmonson refere. É esta carta de distribuição dos cepos de âncora em chumbo na costa portuguesa que agora mereceu rigorosa actualização. cepos1.jpgData do início dos anos sessenta (1963 ?) a descoberta, na costa portuguesa, do primeiro cepo de âncora em chumbo, recuperado por Vítor Cruz na zona do cabo Espichel, seguindo-se em 1967 a descoberta de dois exemplares situados nas proximidades um do outro, recuperados por Carlos Manafaia nas imediações da praia de S. Torpes, a sul de Sines. Igualmente por volta destas datas, o Prof. Álvaro Vilar Moreira avistou igualmente um cepo ao largo da lagoa de Albufeira, um dos mais antigos a ser referido na imprensa portuguesa o que perfaz exactamente os 69 exemplares recenseados - dos quais a esmagadora maioria (81,2 %) provém de dois dos melhores abrigos naturais da costa oeste: a ilha da Berlenga e o cabo Espichel.É evidente que esta quantidade de achados nestas duas zonas, apesar de intuito significativa, pode não ser explica(Li exclusivamente pela riqueza do potencial arqueológico local. É já clássico referir, em semelhantes casos, o efeito cumulativo de outros factores multiplicadores deste índice de achados, como seja a incidência da prática do mergulho amador, justamente em zonas deste tipo, facto naturalmente propício a uma maior frequência de descobertas. Não deixa, no entanto, de ser mais do que provável o grande índice de achados nestas duas zonas resultar de estas constituírem, desde remota antiguidade, pontos de abrigo, de escala e de espera de condições de navegação propícias.

Constitui, no entanto, uma curiosa concepção, o facto de o mesmo fenómeno não se verificar, como seria de esperar, nas imediações de Sagres/cabo de S. Vicente - zona de abrigo e de escala, por excelência, - onde apenas se recenseou um achado. Saliente-se, a propósito, que, em Portugal, como em todo o lado, a maior parte dos cepos de âncora em chumbo foi descoberta ocasionalmente e recuperada por mergulhadores amadores. Com efeito, a maior parte dos achados ocorreu, quase sempre, em circunstâncias fortuitas, disto se exceptuando os exemplares, recuperados no decurso de prospecções sistemáticas realizadas pela Escola de Brigadas Especiais de Campo da Mocidade Portuguesa, sob a direcção do Prof. A. Vilar Moreira, e dos exemplares resultantes de um programa promovido pelo Museu Nacional de Arqueologia que teve como ponto de partida as descobertas efectuadas por Luís Veríssimo. Assim, os exemplares que foram recuperados no quadro de Lima primeira operação de salvamento arqueológico promovida por este Museu em 1988, em colaboração com elementos ligados ao Museu de Peniche, e em 1991, uma idêntica operação promovida pelo MNA e que os achadores integraram, levou à recuperação de dez exemplares, dois dos quais foram descobertos durante a própria operação.

cepos2.jpgA propósito deste importante núcleo da Berlenga, merece ser recordada a pioneira e avisada actuação do Museu do Mar, de Cascais, bem ilustrada pelo cuidadoso registo de enfiamentos tirados por ocasião da descoberta do exemplar. Com efeito, a anotação precisa de enfiamentos para memorização de um ponto à vista da costa é um método empírico com grande rigor, utilizado em todas as épocas pelos homens do mar. É evidente que numa perspectiva de pesquisa mais elaborada, o rigor pretendido não dispensa o recurso a meios e técnicas de registo topográfico especializado. E é justamente neste plano que o programa prospectivo que tem vindo a ser desenvolvido na área do ancoradouro natural da Berlenga é exemplar, sendo este o único local da costa portuguesa em que os cepos descobertos estão, na sua esmagadora maioria, rigorosamente posicionados.

Do ponto de vista geográfico merece referir-se que os 69 cepos de âncora em chumbo foram descobertos na costa portuguesa em doze locais diferenciados, provindo da costa oeste 91,3% dos achados. Curiosamente, na costa sul (Algarve), em que as condições naturais são mais amenas do que naquela, foram apenas recolhidos 6 exemplares, o que representa a modesta percentagem de 8,7% do total dos achados verificados em toda a costa portuguesa. A Berlenga representa o local mais a norte onde se verificaram achados, repartindo-se os restantes por seis locais da costa oeste, a sul do cabo Raso (Guia, Cascais), N do cabo Espichel, (sobretudo no chamado mar de Ancão), S. Torpes (a sul de Sines), Vila Nova de Milfontes (imediações do estuário do rio Mira); e em cinco locais da costa sul: no Martinhal, na praia dos Três irmãos, por fora do porto de Portimão, na Praia da Galé e na pedra do Zimbral (ilha Deserta, cabo de Santa Maria).

Grosso modo, os locais da costa oeste onde foram descobertos cepos deste tipo, caracterizam geograficamente quatro grandes zonas:

- A norte do estuário do Tejo (Berlenga): 18 exemplares;

- Nas imediações do estuário do Tejo (Guia e Cascais): 2 exemplares;

- Entre os estuários do Tejo e do Sado (mar do Pião, situado a N do cabo Espichei): 2 exemplares;

- Nas imediações do (estuário do Sado (cabo Espichel): 38 exemplares. Costa alentejana (S. Torpes e Vila Nova de Milfontes): 3 exemplares.

cepr4.jpgSaliente-se que de um total de 69 exemplares descobertos só 60 foram efectivamente recuperados (22). A Berlenga e o Espichel são, como se disse, os locais de onde provêm o maior número de descobertas e recuperações: respectivamente 18 e 38 e 16 e 32, representando a sua soma (56 e 48 exemplares) 81,2% das descobertas e 80 dos exemplares recuperados em toda a costa. Do Espichel provêm 55,1 % das descobertas na costa portuguesa, assim como 55% da totalidade dos exemplares efectivamente recuperados. Da Berlenga provêm 26,1 % das descobertas e 26,7 % do número total de exemplares recuperados em todo o País.
Exceptuando as zonas do Espichel e da Berlenga, nas restantes dez zonas em que se verificaram achados, o número máximo de descobertas simultâneas foi de dois exemplares, mas isto apenas em três casos (a N do cabo Espichel, em S. Torpes e na Praia da Galé) - muito embora só nestes dois últimos casos (assim como em alguns da Berlenga que adiante referiremos) eles proviessem de locais muito próximos e em óbvia associação. Em cada uma das restantes sete zonas verificou-se apenas, o achado de um único exemplar. Procurar estabelecer modelos explicativos para as perdas das âncoras a que corresponderiam estes cepos (e o colar de reforço) achados na costa portuguesa não e tarefa fácil . Pelos dados recolhidos no âmbito do inquérito que estão na base do presente trabalho, temos que os exemplares da Berlenga, de Cascais, do Espichel, do Martinhal e de Portimão, parecem corresponder a situações típicas de perdas de âncoras em zonas de ancoradouro.

O caso do Zimbral corresponderá, por outro lado, a uma situação igualmente típica, que é a de uma perda de âncora num característico “peguilho”, em mar aberto, numa zona totalmente desabrigada, embora relativamente perto da costa (16 m de profundidade).

Destes exemplares efectivamente recuperados (59) quatro são considerados perdidos, um por circunstâncias fortuitas, e três em resultado do incêndio do Arsenal da Marinha. Os cinquenta e cinco exemplares que subsistem, recuperados, estão assim actualmente repartidos:

Centro Português de Actividades Subaquáticas: 7.Colecções particulares: 6.Laboratório Marítimo da Guia: 1.Museu Arqueológico de Sines: 2.Museu Arqueológico Municipal de Sesimbra: 1.Museu de Arqueologia e Etnografia de Setúbal: 2.Museu da Marinha: 12.Museu de Peniche: 5.Museu do Mar de Cascais: 2.Museu Marítimo Ramalho Ortigão: 1.

Museu Nacional de Arqueologia: 15.

Palácio da Independência: 1.

Expressamos aos responsáveis por estas instituições os nossos agradecimentos por todas as facilidades concedidas durante todas as fases da pesquisa, e muito especialmente a Ricardo Costa, Armando Almeida, Pedro Pimenta, João Pedro Cardoso, Vitor Cruz, Ferdinando Oliveira Simões, José António Lopes Ribeiro, José Alvarinho, Rui de Moura, Henrique Jourdan, Daniel Eloy, José Valente Garcia, Carlos Manafaia, João Gomes Pedro, à viúva de Álvaro Borja,Luís Sacramento, i Joaquim e António Gregório, Fausto Nascimento e Carlos Manuel Brites Nunes, pelas informaçõesprestadas e das quais dependeu, em definitivo, o rigor do presente catálogo. Os casos do cepo da Guia, de Vila Nova de Milfontes, assim como dos pares de cepos de S. Torpes, e da Galé - em qualquer dos casos indiscutivelmente associados - corresponderão, eles sim, talvez, a perdas por naufrágio.Quanto ao caso dos dois grandes cepos da Berlenga inquestionavelmente associados, tanto por equivalência de dimensões, como por similitude tipológica, levanta-se um curioso problema, pois parece pouco provável ter-se verificado, simultaneamente, a perda de duas âncoras em ancoradouro. Do mesmo modo, e igualmente na Berlenga, a proximidade dos cepos, os dois últimos distantes entre si, de escassas dezenas de centímetros, e ambos distantes do primeiro cerca de dois metros; assim como os exemplares, encontrados nas proximidades um do outro, colocam um problema idêntico ao dos cepos grandes, problema que só uma pesquisa mais aturada poderá eventualmente esclarecer; e isto, independentemente do facto de, nas proximidades terem sido achados fragmentos de ânforas - facto cuja futura interpretação devera merecer o maior cuidado porquanto se sabe que qualquer fundeadouro é, por definição, uma lixeira histórica.No estado actual da pesquisa não é possível estabelecer com segurança as razões das perdas dos cepos descobertos em águas portuguesas, tanto mais que certos fundos onde os achados se verificaram não são de molde a justificar, aparentemente, perdas por prisão ou retenção. Naturalmente, nestas condições, a hipótese de provirem de naufrágios parece aliciante, mas até à data nenhuma evidência arqueológica permite ainda fundamentar esta hipótese.As considerações acima emitidas devem, portanto, ser tidas com a necessária reserva, uma vez que em nenhum caso foram encontrados quaisquer vestígios assimiláveis a um contexto de navio afundado. Saliente-se, no entanto, que em qualquer dos casos aventados, a pouca profundidade dos locais dos achados e a proximidade da costa deixam supor que a maioria das perdas de navios terá configurado o típico caso de naufrágio por destruição contra a costa, situação em que, mesmo no caso de navios modernos, todos os restos são destroçados e rapidamente dispersos pela força do mar.Cabe aqui referir que as embarcações possuíam por norma, já nessa época, diversas âncoras, de acordo, aliás, com uma tradição que em épocas recentes se traduziu em regimentos ou regulamentos, como, por exemplo, o francês de 1765 que, para os navios de 74 e 80 canhões, fixava em seis o número de âncoras, assim como as respectivas características 23. De resto, a existência de uma multiplicidade de âncoras nos navios da Antiguidade, encontra-se já comprovada arqueologicamente com os 6 cepos (5 dos quais recuperados) de Mahadia, os 7 de Blanes e de Punta Scaletta (neste caso, 4 em chumbo e 3 em ferro) e os 11 de ferro do navio bizantino de Yassi Ada . Aliás, Louis Foucher, chamara já a atenção para a passagem dos Actos dos Apóstolos (XXVII, 29), em que se refere, no navio em que viajava S. Paulo, o lançamento de quatro âncoras pela popa durante uma tempestade ao largo de Malta 26. Tipologicamente, os exemplares descobertos em Portugal agrupam-se em quatro categorias - exceptuando, naturalmente, o colar de reforço. Este é uma peça rectangular trioculada, para o reforço da ligação das patas à haste (fig. 3). Constitui, ao que parece, não um elemento estrutural de origem, para reforço, eventualmente servindo também de contrapeso 27, mas uma peça fundida posteriormente, quando o sistema de cavilhamento original precisava ser reforçado 28. Saliente-se que a mais antiga peça deste tipo conhecida, provém dos destroços do navio afundado na Punta Scaletta (ilha de Giannutri), datados dos meados do século II A.C.Como acima referimos, para 68 exemplares de cepos de âncora em chumbo, só um exemplar de colar de reforço foi encontrado na costa portuguesa, o que testemunha uma raridade que tem a sua equivalência no Mediterrâneo. Como aqui, no caso português, tal raridade explicar-se-á tanto pela ausência desta peça numa grande percentagem de exemplares (fig. 4), como pelo eventual desprevenimento dos mergulhadores amadores responsáveis pelos achados. Com efeito, é admissível que, muito frequentemente, tenha sido descurada a prospecção minuciosa das imediações dos locais dos achados, quanto mais não seja por desconhecimento das características estruturais das âncoras desta época.Dos quatro tipos em que se distribuem os cepos achados, o mais frequente é o tipo impropriamente dito «fixo» (designado por «corrente» no quadro geral de síntese, introdutório ao Catálogo), ao qual pertence a esmagadora maioria dos exemplares: 53 em 58 (visto haver cerca de uma dezena de exemplares em que não se pode determinar a presença da característica cavilha/lingueta mediana), o que representam 91,4 % da totalidade. Trata-se do tipo 3c de Kapitan, caracterizado pela existência de uma lingueta transversal mediana que tine os dois lados do encaixe, no prolongamento dos braços, e que corresponde ao preenchimento pelo chumbo vazado, de um orifício previamente aberto na haste de madeira, que fica assim irreversivelmente envolvida e cavilhada pelo metal.

O segundo tipo, representado em águas portuguesas por um único exemplar, é, em quase tudo, idêntico ao anterior, salvo que não dispõe de lingueta, sendo portanto assimilável a um tipo dito «móvel». É o tipo 3b de Kapitan.

O terceiro tipo de cepo representado em águas portuguesas, é o dito «de madeira com alma de chumbo, neste caso representado, pelo seu subtipo «com dupla alma», correspondendo ao tipo 2a de Kapitan. Trata-se de um cepo de madeira em que cuja cavidade de secção trapezoidal, aberta ao longo de cada braço, é enchida com chumbo, que assim fica preso pela face com menor largura.

Desaparecida, a madeira, restam duas barras de chumbo de dimensões semelhantes. É o caso das duas barras de chumbo provenientes de dois cepos diferentes, da zona do cabo Espichel. 0 quarto tipo representado em Portugal é o dito «com alma de madeira» (tipo 4 de Kapitan), representado pelos dois grandes cepos (+ de 2,5 m) da Berlenga cuja associação parece evidente, pelo que teriam pertencido ao mesmo navio (como no caso dos de S. Torpes e da Galé nestes casos tratando-se de exemplares de tipo fixo). Os grandes cepos da Berlenga correspondem, assim, a um tipo em que uma longa peça de madeira faz de travessão, penetrando a haste da âncora e prolongando-se para o lado do,, braços, acabando por ser totalmente envolvida pelo chumbo vazado no molde. Daí que, após a decomposição da madeira da alma, um característico orifício fique à vista, de cada lado do encaixe central (ver fotos de pormenor). Note-se, aqui, neste exemplar a existência, num dos topos laterais, de uma lingueta que atravessava a haste, junto com a alma, e que unia os dois braços do cepo. Saliente-se, no entanto, que ao contrário do exemplar do quadro tipológico de Kapitan, no caso dos dois exemplares da Berlenga, a alma de madeira não se prolonga até ao topo dos braços. A existência de uma importante alma de madeira explica, aliás, que estes dois grandes cepos da Berlenga, os maiores de todos os recuperados na costa portuguesa, com os seus 423 e 422 kg, não sejam os mais pesados de todos, ficando aquém dos 442 kg do maior exemplar da Praia da Galé, apesar deste ser mais pequeno do que eles cerca de 0,5 m, Carrazé refere este facto dizendo que «este método [de construção com alma de madeira] permite, com peso igual, ter uma envergadura de cepo muito mais importante e uma ligação à haste mais homogénea. Este processo permaneceu, contudo, raro nas grandes âncoras; em contrapartida, é muito comum nos pequenos cepos da ordem dos 50 a 60 kg». Mais tarde Kapitan viria rectificar este pressuposto, referindo que «ao tipo 4 pertencem tanto pequenos cepos como grandes, designadamente o maior de todos os cepos conhecidos, o de Qawra Point, de Malta».

Saliente-se, quanto ao peso, que os exemplares recuperados na costa portuguesa que têm entre 200 e 300 kg, medem entre cerca de 1,5/2 m, e os de mais de 300 kg têm normalmente cerca ou mais de 2 m. De assinalar, no entanto, uma frequente ampla variação na relação peso/comprimento, como atesta, nomeadamente, o facto de um exemplar, com 1,73 m pesar 360 kg (peso mais comum em cepos com cerca ou mais de 2 m), assim como numerosos exemplares em tomo do 1,5 m. terem pesos que variam do simples para o dobro, de que são exemplo alguns cepos medindo, respectivamente, 1,45 e 1,52 m, e pesando 244 e 114 kg. Quanto às dimensões dos cepos descobertos na costa portuguesa, há a referir que cerca de uma dezena tem menos de 1 m; cerca de 30 exemplares situam-se entre cerca de 1 e 1,5 m; menos de uma dezena têm entre cerca de 1,5 e 2 m; 9 exemplares têm entre cerca de 2 e 2,5 m. (entre os quais se contam os dois já referidos, indiscutivelmente associados, da Praia da Galé, o de Portimão; os dois do Espichel, recuperados em diferentes ocasiões e finalmente, 4 exemplares têm mais de 2,5 m: um (não recuperado) do Espichel, o exemplar a que corresponde o braço recuperado a norte do Espichel e os dois da Berlenga, já referidos igualmente como associados (e, aliás, do mesmo tipo, dimensões e peso).

cepr3.jpgDe um ponto de vista comparativo, quanto a dimensões, há a referir que os exemplares n.ºs 03 e 09 se situam entre os maiores de todo o mundo romano. Com efeito, se excluirmos o de Qawra Point (St. Paul’s Bay, Malta), que é o maior exemplar conhecido em todo o mundo antigo, com cerca de 4,25 m e 1850 kg 36, verifica-se que os da Berlenga, com 2,55 e 2,63 m (apesar de pesarem apenas 423 e 422 kg) 37, se situam no topo da escala dos maiores cepos conhecidos - sendo pouco menores do que o de St. Tropez, que mede 2,68 m e pesa 1,300 kg, mas maiores do que o de Escalet, que mede 2,51 m e pesa 840 kg, do que o maior dos cinco cepos de Mahadia, que mede 2,46 m e pesa 625 kg e do que o de Nemi, que media 2,40 m.

Fazendo como este autor, a proporção entre o comprimento do cepo e o comprimento total da âncora, a partir desta relação conhecida no exemplar conservado de Nemi (2,40 x 5,50 M) temos que as âncoras da Berlenga a que pertenceriam estes cepos teriam cerca de 6 m. Terão, no entanto, pertencido a um navio de média tonelagem. Saliente-se, com efeito, que o navio de Mahadia transportava um carregamento de elementos arquitectónicos, mármores, esculturas, etc., calculado em cerca de 230/250 toneladas; facto que nada tem de extraordinário se atendermos à comprovação arqueológica de que o navio da Madrague de Giens com 40 m de comprimento, tinha 6500 ânforas de carga e capacidade para 8000, ou seja uma tonelagem de frete de 325 t e uma tonelagem bruta de 400 t 41, números estes, como este autor salienta, ainda inferiores aos do navio de Albenga, cuja carga está estimada entre 11 000 e 13 500 ânforas, correspondendo a uma tonelagem bruta entre 500 e 600 t - «esta sendo, seguramente, a tonelagem dos myriophores («transportadores de 10 000») ou «de uma carga inumerável» (conforme se dá ao termo um sentido numérico preciso ou um sentido lato) citados pelos textos antigos, nomeadamente no final da República e no início do Império, e que eram considerados como sendo os maiores do seu tempo, sem ser excepcionais. Significativamente, este é precisamente o tipo de grande navio de carga que Estrabão refere, nos inícios do século 1 d.C.43, quando, ao descrever o litoral da Lusitânia, indica que «Quanto ao Tejo, a sua largura na foz é de cerca de 20 estádios e a sua profundidade suficiente para que navios de 10 000 ânforas de frete possam remontá-lo».

Num outro plano, é de assinalar a presença de motivos decorativos em relevo, apenas em sete exemplares de cepos encontrados na costa portuguesa. Esta percentagem de cepos recuperados em águas portuguesas, apresentando motivos decorativos em relevo (11,7 %) é, no entanto, ainda maior do que a observada no recenseamento efectuado por Gianfrotta, mais de cem exemplares decorados num total de cerca de um milhar (± 10 %). 0 exemplar n.2 , da Berlenga, apresenta «ossinhos» em relevo em duas faces alternadas dos braços. 0 n.º 10, deste mesmo sítio, e o n.º 34, do Espichel - apresentam um golfinho virado para o encaixe, em cada uma das faces laterais dos braços. Estas representações são idênticas e encontram-se em relativa simetria. 0 exemplar n.º 12, igualmente da Berlenga, apresenta dois motivos decorativos dificilmente caracterizáveis, em virtude da erosão e das concreções, na face (esquerda) de um dos braços. 0 mais próximo da caixa parece um golfinho; o segundo, mais afastado, parece um círculo que se prolonga para o lado de dentro por uma forma oblonga, terminando numa protuberância. 0 n.º 49, do Espichel, apresenta uma calote esférica (radiada ?) na face externa de um dos lados do encaixe central, ocupando-o quase por inteiro.

O n.º 58, igualmente do Espichel, apresenta três elementos decorativos diferentes: de um lado, apresenta nas faces, em relativa simetria, a mesma composição, constituída por dois elementos: o mais próximo do encaixe é composto , por dois rectângulos em relevo, em sequência linear; o segundo elemento decorativo, situado do lado das pontas, é um golfinho voltado para a esquerda em ambos os lados. Do outro lado, apresenta um par de lucernas em cada face, numa sequência linear, com os bicos voltados para a esquerda. Finalmente, o exemplar n.º 62, de S. Torpes, apresenta na face (esquerda) de 1 um braço um relevo oblongo que se prolonga obliquamente para o lado do encaixe por um círculo perfeito.

Para o motivo decorativo deste último exemplar, assim como para o do n.º 12 não conhecemos paralelos - muito embora a representação de círculos isolados, sem ser frequente, se observe, por exemplo, num exemplar recuperado nas imediações de Ceuta.

Os rectângulos em relevo, invariavelmente utilizados como suportes de inscrições, são um motivo pouco frequente mas conhecido em exemplares do Mediterrâneo, como se pode verificar nomeadamente pelos exemplos de; Populónia e de S. Maria di Castelbate, referidos e ilustrados por Gianfrotta 47. No caso do nosso exemplar n.º 58, nada é actualmente visível na superfície e em rectângulos em relevo, presumivelmente, em virtude da acção simultânea da corrosão e da concreção marinhas. A representação de lucernas em cepos de chumbo também não é frequente, podendo igualmente citar-se, como paralelo, um exemplar do Museo Nazionale de Palermo. 0 significado propiciatório deste motivo é evidente, representando para o navegantes a esperança de uma rota tão esclarecida como iluminada. A relativa profusão decorativa deste exemplar do Espichel, com três tipos de representação diferente (golfinhos, placas rectangulares e lucernas) merece finalmente a referência de que ela é, em si mesma, a evidência daquele desejo de “reforço do papel profiláctico”, c1e acordo com a feliz expressão de Gianfrotta.

Curiosamente, num outro plano, a lucerna como tipo de representação presta-se admiravelmente (como é pouco frequente nas representações em cepos) a uma caracterização cronológica mais ou menos precisa, dado o conhecimento que hoje se possui sobre as suas formas durante a época romana – o que não é de admirar dado as lucernas constituírem um utensílio doméstico típico e milenar. Assim este tipo de lucerna, apesar da margem de imprecisão inerente ao tipo e ao estado da representação, parecem corresponder a modelos comuns entre os séculos 1 A. C. e 1 D. C., quiçá perdurando no século II.

As decorações de “ossinhos” e de golfinhos são, em contrapartida, bastante comuns em cepos de chumbo. Gianfrotta, recenseia a decoração de ossinhos em quase setenta cepos de diversas cronologias, achados em diferentes locais do Mediterrâneo e do Mar Negro. Os “ossinhos” alinhados, quase sempre representados em posições diferentes, representam o talus - o Jogo mais popular de toda a Antiguidade. Os ossinhos, os astrágalos das patas da cabra ou do carneiro) em posições diferentes, representavam, para além do mais, o lance da sorte, ou “lance de Vénus” (Jactus Venerius) , como era então conhecido este lance. Como é intuitivamente deduzível, este simbolismo tem um significado augural, auspicioso, facilmente compreensível em peças de quem depende, por excelência, a segurança da navegação, dos bens e das pessoas. Representa - em suma - a esperança da sorte.

A decoração dos “ossinhos” em cepos de chumbo está atestada desde os meados do século II A. C . Figura no segundo cepo, com 1,2 m e recuperado em 1970, do destroço B da Jeaune Garde datado dos meados deste século, e num cepo de 1,89 m e 280 kg, proveniente do destroço A do Grand Ribaud, datado dos inícios do último terço do mesmo Século, o que, Carrazé, corresponde ao leque cronológico de 160 - 120 A.C. o golfinho é, por sua vez, um símbolo apotropaico por excelência, igualmente conhecido em numerosos exemplares achados no Mediterrâneo.

Sozinho ou acompanhado de outras representações, como no caso acima refe rido do cepo proveniente do destroço B da Jeaune Garde, em que aparece na mesma face dos dois braços, associado aos “ossinhos”, assim como no exemplar n.º 12 em que aparece associado a uma outra representação indeterminada e, ainda, no exemplar n.º 58, em que aparece associado aos quatro rectângulos (no mesmo lado) e a quatro lucernas sozinhas do outro lado, o golfinho, protector dos navegantes salvador dos náufragos, é o símbolo da navegação tranquila, «adorado nas baías e nos portos, nos promontórios e em toda a beira-mar» de acordo com uma tradição que remonta ao segundo milénio A.C.

cepr6.jpgO golfinho é a representação de Apolo, cujo culto era celebrado no santuário de Delfos. As Delfinia eram celebradas em homenagem a Apolo Delfinios, condutor dos navegantes, merecendo salientar-se que «a festa dos homens do mar devia fazer parte da herança que este deus roubou a Poseidon, primeiro possuidor da montanha e das suas margens. É a este que os que embarcavam ofereciam primitivamente sacrifícios na Primavera, quando o mar se reabre à navegação».

Finalmente, há a referir que o grande cepo recuperado na Berlenga (n.º 03), veio, num outro plano, colocar um problema da maior importância e que reside no facto de a datação, pelo radiocarbono da sua alma de madeira, obtida por média ponderada das datações de amostras recolhidas em diferentes ocasiões (ICEN-479 - 2370 ± 80 e ICEN-630 - 2320 -t 50 BP), ser de 2330 ± 45 13P 57. As datas calculadas que se obtiveram através da curva de Stuiver e Pearson (1986), com intersecção em 39 cal AC, foram as seguintes: 404 - 389 cal AC (para 1 sigma) e 511 - 432 cal AC; 429 - 369 cal AC e 271 - 269 cal AC (para 2 sigma).

O cepo datará, assim, dos finais do século V/ inícios do século IV a.C., uma vez que, segundo os AA. «a probabilidade de a verdadeira idade da madeira se encontrar em qualquer dos dois intervalos extremos determinados para o grau de confiança de 95,5 % é diminuta».

Acontece que esta datação, cientificamente indiscutível, é excepcional em termos internacionais. Com efeito, apesar do persistente reconhecimento da impossibilidade de datação dos cepos de âncora em chumbo por critérios tipo lógicos exclusivos, e de, em quase duas décadas, o número de sítios de naufrágios com cronologia atribuível, onde foram encontrados cepos deste tipo, terem passado de 5 para 19, não existe ainda hoje, à escala do mundo romano, fundamentação arqueológica para datações de cepos de âncora em chumbo fora do período compreendido entre a transição do século IV para o III A.C. e o século 11 D.C. justamente por este motivo, os investigadores do ICEN do LNETI tomaram a iniciativa de repetir a datação através da recolha de uma nova amostra da alma de madeira, o que veio comprovar afinar a datação inicialmente obtida.

Deduz-se, assim, em resultado da coerência entre as duas datações, que o cepo grande da Berlenga deve ser considerado pré-romano, quiçá representando um vestígio de navegações púnicas, hipótese que os numerosos vestígios no nosso país, típicos desta área de influência cultural, poderiam perfeitamente legitimar. Conclui-se, portanto, que, neste momento, pelos dados disponíveis, este cepo da Berlenga é o mais antigo cepo de âncora em chumbo conhecido, de toda a Antiguidade - colocando-se mesmo a hipótese (fundamentada cientificamente pelo radiocarbono) de poder ser anterior ao século IV A. C. – hoje em dia considerado a época em que se generalizou no Mediterrâneo o uso do cepo em chumbo.

O que, de algum modo, com modesta e critica felicidade, permite rematar este final, dando à citação inicial de Timeu todo o, seu valor epigramático.

Apontamentos tirados da publicação “Separata do Arqueólogo Português” Série IV, Volume 6/7 – Lisboa 1988-1989

Autores: Francisco J. S. Alves, Francisco Reiner, Mário J. R. Almeida e Luís Veríssimo.

Estes apontamentos encontram-se resumidos, tanto na localização dos achados, posicionamento dos mesmos, respectivas fotografias e textos de rodapé, do qual não se inclui o quadro geral de síntese e dados biográficos.

Para uma melhor consulta, desta separata de “O Arqueólogo Português” pode ser consultado nos seguintes locais:

Museu Nacional de ArqueologiaMuseu de PenicheBiblioteca MunicipalCNAS – Centro Nacional de Arqueologia Subaquática

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