Fev 29 2008

Naufrágio do San Pedro de Alcantara

Published by admin at 6:36 under História

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No dia 2 de Fevereiro de 1786 um navio de guerra espanhol terminou a viagem de regresso a casa na zona costeira de Peniche; sendo desde então o naufrágio mais célebre da história trágico-marítima da costa penichense. O San Pedro de Alcantara naufragou junto aos rochedos da península Papoa. Neste navio, proveniente do Peru, e que tinha como destino Cádis, viajavam quatro centenas de pessoas, entre espanhóis, crioulos e prisioneiros incas, envolvidos na revolta, alguns anos antes, encabeçada por célebre chefe inca Tupac Amaru.
Para evocar a fatídica data, 222 anos depois, realizou-se em Peniche um programa de eventos resultando de uma parceria da Câmara de Peniche e da Embaixada do Perú em Lisboa. Um dos temas em destaque decorreu no auditório municipal, com a apresentação pública de programa de actividades a desenvolver no presente ano versando a valorização da memória daquele naufrágio. O projecto, intitulado “Peniche: encontro entre dois continentes” contemplará o desenvolvimento de um conjunto de eventos visando a valorização e divulgação deste importante episódio histórico, ao qual se associam o Museu Nacional de Arqueologia, a Divisão de Arqueologia Náutica e Subaquática do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico e a Fundação do Conservatório Regional de Gaia.


No âmbito deste programa realizar-se-ão os seguintes eventos:Requiem de W. A. Mozart – “Requiem para um inca defunto”
Conservatório Regional de Gaia
5 de Abril, 21h30 - Igreja de S. Pedro
(colaboração: Paróquia de Peniche)

Exposição “Peniche: Encontro entre dois continentes”
Comissariado: Maria Luísa Blot
7 de Junho a 30 de Novembro - Sala de Exposições (Edifício Cultural da CMP)
Conferência sobre a vida de Tupac Amaru
Junho - Auditório Municipal - Dra. Scarlett O’Phelan
(Edifício Cultural da CMP)
Projecção de filme “Tupac Amaru o mito e o homem”
Junho - Auditório Municipal

Espectáculo musical - música tradicional peruana
Julho - Fórum da Parreirinha

Organização de visitas guiadas à exposição destinadas à comunidade escolar do concelho
Outubro e Novembro - Sala de Exposições

Concurso de trabalhos escolares
Outubro e Novembro

spalcantara01.jpgO San Pedro de Alcantara transportava uma carga excepcional de mais de 150 toneladas de moedas de ouro e prata, e 600 toneladas de cobre, à qual se deve juntar o peso dos seus 64 canhões, de um lastro de quase 140 toneladas de pedra, de 100 toneladas de quinquina (planta sul americana), de seis toneladas e meia de cacau, e por fim da água e da alimentação necessária para o quotidiano a bordo. Vergado pelo excessivo peso da sua carga, viria a naufragar na costa de Peniche desencadeando durante os três anos seguintes uma gigantesca operação de salvamento que, permitindo a recuperação de cerca de 90% da carga transportada, abalou a pacatez do quotidiano penichense.
Na sequência do naufrágio do navio espanhol San Pedro de Alcantara no qual viajavam cerca de quatrocentas pessoas, terão perecido neste fatídico acontecimento 128 passageiros, cujos corpos muitas vezes desfeitos pelas rochas e pela força do mar foram apressadamente enterrados, por populares e pelos frades franciscanos do Convento do Bom Jesus (situado nas proximidades) num improvisado depósito funerário localizado no sítio do Porto da Areia Norte.
No âmbito do projecto de investigação do navio San Pedro de Alcantara, desenvolvido por uma equipa de arqueologia liderada por Jean-Yves Blot e Maria Luísa Blot, foi possível identificar o local de 80 dos enterramentos e escavar perto de três dezenas, facto que possibilitou o desenvolvimento de um estudo antropológico definidor do sexo, idade provável à data da morte, tipo antropológico ou patologias de alguns dos náufragos, e na sequência do qual se confirmou a heterogeneidade antropológica dos viajantes do San Pedro de Alcantara.

 

 

 

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